Está uma noite maravilhosa, sem vento e com a lua cheia para
iluminar o nosso caminho. Mas não deixa de estar frio (~-10ºC). Temos 3 camadas
de roupa nas pernas e 5 no tronco, sendo que a minha ultima é o fato da neve!
Começamos assim a nossa ascensão na parede, “pole pole” e em
zig-zag.
Somos o único grupo com as lanternas desligadas (vê-se muito
melhor só com a luz da lua!) e não temos ninguém à frente nem atras, porque
todos os grupos nos ultrapassam.
No 1º ponto de paragem, inevitavelmente todos os grupos se
juntam. Quando voltamos a caminhar torna-se bem mais complicado com tanta gente
e com grupos com ritmos tão diferentes…
No 3º ponto de paragem, já com cerca de 4 horas de
caminhada, chá e bolachas. O Carlos está com um ritmo lento, que para mim, com
o frio, me faz gelar e ficar com as extremidades dormentes. Vamos ter de nos
separar em 2 grupos. O Rui tem de decidir: ir à frente comigo e com o Bem ou
ficar para trás com o Carlos e com o Athley. Alguma indecisão… e como se o chá
fosse a porção magica do Asterix, ganha forças e vem comigo!
A subida torna-se cada vez mais difícil, o cansaço acumula,
o oxigénio diminui ainda mais. Acaba o zig-zag e chegamos ao cimo do vulcão, a
Gillman´s Point (5685m). Ainda é de noite, uma foto para marcar a chegada e
seguimos com o Ben para não quebrar o ritmo.
Supostamente deveríamos chegar ao Stella Point (5739m) às
6:30 para assistir ao nascer do sol. A claridade começa a aparecer. Chegámos cerca de 3 minutos antes.
Chorei muito de cansaço e alegria.
Prosseguimos, acompanhados de uma vista lindíssima para o
glaciar e para a cratera do vulcão.
Esta ultima caminhada é realmente um esforço sobrenatural! A
respiração é feita como se fossemos asmáticos a ter um ataque. Quando damos um
passo temos de encher profundamente os pulmões de ar durante alguns segundos
para conseguir dar o passo seguinte.
Os que já chegaram ao cume e regressam incentivam-nos…
Às 7:50 chegamos a Uhuru (5895m). Choramos, abraçamo-nos e tiramos
fotos. Aquelas fotos têm uma importância muito maior do que pensava! É uma
emoção muito grande! Subimos durante 9 horas!
Temos de regressar ao refugio rapidamente antes que a altitude
faça das suas… vêm-se alguns caminhantes a ser levados em braços pelos guias
com a cara quase roxa…
Pelo caminho de regresso vamos incentivando os que ainda vão
em direção ao cume e vamos cumprimentando todos os que fomos conhecendo ao
longo da viagem e que agora se concentram todos no topo do Kilimanjaro.
A descida até Kibo não é fácil, mas às 11:00 já estamos no
base camp (12 horas depois de partirmos). Ficamos muito contentes, o Carlos
conseguiu chegar a Gillman´s Point e superou o seu anterior record de altitude.
Almoçamos, arrumamos mochilas e ainda temos mais 4 horas de
caminhada à tarde até ao refugio Horombo, onde vamos dormir… que nem bebés.