2013 - AFRICA - Tanzania and Quenia (Subida Kilimanjaro e Safari)





















16 e 17 Ago, Lisboa->Amesterdão->Nairobi->Moshi

   Finalmente em África!
   As viagens de avião cumpriram a agenda. Quando estávamos a 10 minutos de aterrar no Quénia o comandante avisa “vamos ter de nos manter no ar porque está um animal morto na pista de aterragem”! -> Bem vindos a África!
   No aeroporto de Nairobi, o cenário era: escombros queimados, passadeiras de malas na rua, muitas tendas tipo casamento com cada departamento das chegadas, casas de banho festivaleiras... Até estava tudo muito bem organizado tendo apenas passado uma semana do incêndio que destruiu tudo. Mesmo assim tivemos uma hora em fila para obter o visto de entrada.
   Agarrámos nas nossas mochilas que estavam na tenda das malas e saímos do aeroporto onde está um rapaz com uma placa a dizer “Sr. Rui Louro x2” – sempre quis ter alguém à minha espera com uma placa J.
   São 8:00 e vamos agora de Nairobi (Quénia) até Moshi (Tanzânia) de autocarro. Somos encaminhados para uma Van que quando apareceu pensei que era mentira – muito velha e completamente cheia. E do nada saltam uns bancos pequenos no corredor da Van e é mesmo lá que nós e 2 Suíças vamos fazer 10 horas de viagem!
   Metade da Van está ocupada por um grupo anglicano de Quenianas. Pouco depois da Van arrancar o grupo de mulheres começa a cantar em língua Swahili, em coro, muito animado! A senhora que vai ao meu lado é a Anne, professora e um amor de pessoa, gostei mesmo muito de a conhecer. Na van todos falam inglês bem melhor do que o meu.
   Dentro da Van, muito calor, cantava-se, levávamos banho de pó e comíamos uns bolos fritos típicos que o grupo nos ofereceu e nós esfomeados deliciamo-nos.
   Lá fora a realidade era outra! Além da estrada alcatroada por onde éramos conduzidos, tudo é terra (daquela vermelha), barracas feitas de latão velho e madeira, lixo espalhado pelo chão, pessoas a vender coisas no chão, galinhas, crianças descalças, mulheres a carregar água e lenha… Quando nos afastamos da cidade as casas passam a ser feitas de barro e palhotas e passam a ver-se manadas de vacas (daquelas não leiteiras), cabras, burros, pastoradas por crianças no meio do deserto poeirento. Vêem-se muitas pessoas e motas a transportar bidons de água na beira da estrada, crianças a dizer adeus à Van, mulheres a moer trigo ou a catar cabeças de crianças, sempre vestidos com vestes bem coloridas.
   A fronteira é um portão velho, tudo em areia, um edifico para comprar o visa e uma placa a indicar a entrada na Tanzânia.
   A estrada é em alcatrão, mas tem muitos desvios de kms em terra batida. A van vai muito devagar e a meio do caminho avaria (o condutor arranja-a em 20 minutos!).
   A primeira paragem é a cidade de Arusha (Tanzânia), onde não há passeios, além da estrada alcatroada apenas de vê mercados de rua e casas térreas velhas.
   Os nossos corpos doem do desconforto da van e por não nos deitarmos há 2 dias. Chegados ao destino, Moshi, não nos querem levar ao hotel. Depois de 30 minutos de discussão com o motorista lá nos levam por uma estrada de areia, rodeada de barracas e no meio lá estão os muros altos do hotel. Passando o grande portão – o luxo.
   Chegamos às 18:00, o que perfaz 10 horas de viagem, bem diferentes das 5 horas indicadas pela “Rota dos Ventos”.
   Tomamos um belo banho, arrumamos a mala do dia seguinte, jantar no hotel e cama, finalmente!










18 Ago, 1º dia subida Kilimanjaro -> Refugio Mandara (2165 m)

   Como combinado, às 8:00 lá estamos nos jardins do hotel com as 3 mochilas, uma para ficar no hotel, outra pequena para andar connosco e outra com as coisas que precisamos à noite.
Conhecemos o nosso guia Athley e o nosso companheiro de viajem Carlos, da Argentina.
Vamos assim num Jipe até à porta do P.N.Kilimanjaro, rota Marangu para iniciar a nossa subida até aos 5895m. A rota Marangu é a mais popular porque é a única que tem refúgios para dormir (nas outras rotas acampa-se).
   Somos 3, eu o Rui e o Carlos, mas temos connosco uma equipa de 10 pessoas: 2 Guias, o Athley e o Ben; um cozinheiro, um garçon para nos servir as refeições, o Daniel; e 6 carregadores.
   “Karibu”=”Bem-vindos” ao P.N.Kilimanjaro.
   No portão do parque (1800m) começamos a nossa caminhada por um carreiro lindíssimo, de floresta tropical, árvores gigantes cheias de musgo habitadas por macacos, the blue monkeys.
“Jambo”=”Olá”, é assim que cumprimentamos que passa por nós. “Poa” é a resposta.
   A caminhada é feita “Pole Pole”=”muito lentamente”. É um ritmo estranho para se caminhar, mas a ascensão em altitude tem de ser assim para o corpo se habituar à falta de oxigénio.
5 horas depois estamos no refugio Mandara (2165m).
   Chegados mostra-nos o nosso pequeno chalé em madeira e dão-nos um pequeno alguidar com água! What? Ficámos os 3 a olhar e a pensar o q é fazíamos com o alguidar. Banho chap chap!
   Depois do banho, é sempre pop-corn time. Pipocas, chá e muita conversa. Pouco depois, às 18:00, é hora de jantar. A comida é saborosa, sopa, prato e fruta, e vem sempre em quantidade excessiva.
   Por volta das 20:00 deitamo-nos e ficamos a ouvir os macacos a chiar na floresta. Como em altitude temos de beber muita água e dormir cerca de 10 horas, claro que a noite é interrompida com pelo menos 2 visitas à casa de banho.








19 Ago, 2º dia subida Kili -> Refugio Horombo (3690 m)

   Acordamos e lá está o alguidar com água quente para nos lavarmos. Os efeitos da altitude começam a dar de si e os meus intestinos estão todos enrolados. É normal.
   Deixamos o refúgio Mandara e iniciamos 5 horas de caminhada com nova paisagem: savana. Continuamos em marcha “Pole Pole”: uma passada, respirar, outra passada, respirar… e nas subidas mais acentuadas, vómitos. A altitude é tramada.
   Chegados ao Refugio Horombo (3690m), já estamos acima do nível das nuvens e já se avista o cume do Kili ao longe. O nosso hut está voltado para o lindíssimo vulcão Mawenzi (~5300m) e a uns metros de um pequeno ribeiro onde abastecemos os nossos cantis.
   Mais um banho de alguidar, pipocas, jantar, briefing do guia para o dia seguinte e agradáveis conversas com o nosso companheiro de viagem Carlos.
   A meio da noite a altitude continua a chatear e lá vai o jantar todo!










20 Ago, 3º dia subida Kili -> Dia de climatização no refugio Horombo

   É aconselhável um dia de descanso em altitude para o corpo de climatizar. Assim no 3º dia da subida, ficamos no refugio Horombo e vamos apenas dar um “passeio” de 3 horas até ao local onde avistamos o trilho do ultimo dia de ascensão, isto é, uma parede até ao topo!
   Todos os dias, ao longo da caminhada os guias cantam a música do Kilimanjaro “Jambo, Jambo Poa… Kilimanjaro, Hakuna Matata”. “Hakuna Matata”=”No worries”.
   Desde o primeiro dia que os grupos de subida ao Kili, pela rota Marangu, são os mesmos. Vamo-nos cruzando diariamente. E é obrigatória a presença de um guia no P.N.Kili. É curioso verificar como os outros grupos caminham sem ritmo, muito rápido e com muitas paragens, alguns separados, outros a falar enquanto caminham (o que é matador em altitude)… tivemos muita sorte com a nossa equipa e com o nosso guia, que de todos os que vejo me parece o melhor!
   À tarde descansamos, rotinas, jantar à luz do dia e “Dala Salama”=”Bom sono” em Swahili.






21 Ago, 4º dia subida Kili -> Refugio Kibo (4770 m)

   Levantamo-nos bem cedo para 6 horas de caminhada até ao base camp – Kibo. A caminhada de hoje tem como cenário deserto lunar. E parece mesmo que estamos na lua porque vemos nuvens abaixo de nós, o deserto é branco e poeirento, sem vegetação e a nossa passada é como a dos astronautas – um passo pesado, respirar, outro passo…
   Chegamos a Kibo (4770m) à hora de almoço. Este refúgio não tem as mesmas boas condições dos outros, nem sequer tem água. Está um frio glaciar.
   Depois de almoço descansamos nas camaratas porque às 23:00 vamos arrancar para a derradeira subida até ao topo. Jantamos e no habitual briefing o guia diz que é obrigatório dormirmos 4 horas (entre as 18:30 e as 22:30) para ganhar forças para a subida. Mas estou tão ansiosa como uma criança na véspera de um passeio que não dormi 1 segundo. Quando “nos acordam”, levanto-me como uma mola – até que enfim!
   Bolachas e café e às 23:00 partimos rumo ao cume…











22 Ago, 5º dia subida Kili ->Gillaman's Point (5685 m)->Stella Point (5739 m)->Cume Uhuru (5895m)

   Está uma noite maravilhosa, sem vento e com a lua cheia para iluminar o nosso caminho. Mas não deixa de estar frio (~-10ºC). Temos 3 camadas de roupa nas pernas e 5 no tronco, sendo que a minha ultima é o fato da neve!
   Começamos assim a nossa ascensão na parede, “pole pole” e em zig-zag.
   Somos o único grupo com as lanternas desligadas (vê-se muito melhor só com a luz da lua!) e não temos ninguém à frente nem atras, porque todos os grupos nos ultrapassam.
No 1º ponto de paragem, inevitavelmente todos os grupos se juntam. Quando voltamos a caminhar torna-se bem mais complicado com tanta gente e com grupos com ritmos tão diferentes…
   No 3º ponto de paragem, já com cerca de 4 horas de caminhada, chá e bolachas. O Carlos está com um ritmo lento, que para mim, com o frio, me faz gelar e ficar com as extremidades dormentes. Vamos ter de nos separar em 2 grupos. O Rui tem de decidir: ir à frente comigo e com o Bem ou ficar para trás com o Carlos e com o Athley. Alguma indecisão… e como se o chá fosse a porção magica do Asterix, ganha forças e vem comigo!
   A subida torna-se cada vez mais difícil, o cansaço acumula, o oxigénio diminui ainda mais. Acaba o zig-zag e chegamos ao cimo do vulcão, a Gillman´s Point (5685m). Ainda é de noite, uma foto para marcar a chegada e seguimos com o Ben para não quebrar o ritmo.
Supostamente deveríamos chegar ao Stella Point (5739m) às 6:30 para assistir ao nascer do sol. A claridade começa a aparecer. Chegámos cerca de 3 minutos antes. Chorei muito de cansaço e alegria.
   Prosseguimos, acompanhados de uma vista lindíssima para o glaciar e para a cratera do vulcão.
   Esta ultima caminhada é realmente um esforço sobrenatural! A respiração é feita como se fossemos asmáticos a ter um ataque. Quando damos um passo temos de encher profundamente os pulmões de ar durante alguns segundos para conseguir dar o passo seguinte.
   Os que já chegaram ao cume e regressam incentivam-nos…
   Às 7:50 chegamos a Uhuru (5895m). Choramos, abraçamo-nos e tiramos fotos. Aquelas fotos têm uma importância muito maior do que pensava! É uma emoção muito grande! Subimos durante 9 horas!
   Temos de regressar ao refugio rapidamente antes que a altitude faça das suas… vêm-se alguns caminhantes a ser levados em braços pelos guias com a cara quase roxa…
   Pelo caminho de regresso vamos incentivando os que ainda vão em direção ao cume e vamos cumprimentando todos os que fomos conhecendo ao longo da viagem e que agora se concentram todos no topo do Kilimanjaro.
   A descida até Kibo não é fácil, mas às 11:00 já estamos no base camp (12 horas depois de partirmos). Ficamos muito contentes, o Carlos conseguiu chegar a Gillman´s Point e superou o seu anterior record de altitude.
   Almoçamos, arrumamos mochilas e ainda temos mais 4 horas de caminhada à tarde até ao refugio Horombo, onde vamos dormir… que nem bebés.




























23 Ago, Descida até ao portão Marangu

   Depois do pequeno-almoço habitual de torradas, ovos mexidos, salsichas crepes com mel, e chá do Kili, é-nos apresentado o resto da equipa – carregadores e cozinheiro. É habitual na apresentação cantarem para nós a musica do Kili e assim fazem!   Partimos para uma caminhada de descida até ao portão, de 6 horas (o que corresponde a ~12 horas de subida). Hoje chove e nós caminhamos entre as nuvens.
   Ao fim do dia estamos no hotel e bebemos os 3 uma cerveja para comemorar o sucesso da nossa subida.
   Chegou a hora de pagar a gorjeta à equipa. As gorjetas na Tanzânia, são altas e oficiais (têm mesmo um formulário carimbado). A Rota dos Ventos disse-nos para trazermos entre 50 a 80$ cada um para as gorjetas da subida e do safari. Mas acordamos pagar 100$ cada um. O guia achou pouco e ficou inclusive amuado, tendo ido embora sem dizer nada! Mais tarde voltou para nos dar os certificados de ascensão do Kili, o Carlos deu-lhe mais 100$ e nós demos-lhe roupa de caminhada que ele tinha pedido. Pagamos-lhe o jantar no hotel connosco! Não há dúvida de que foi um excelente guia, mas eles têm um salário…
   Vamos descansar que amanha é dia de Safari.












24 Ago, 1º dia Safari - Lake Manyara

   Despedimo-nos do Carlos com alguma emoção. Passamos 6 dias sempre juntos e gostámos mesmo muito da sua companhia. É uma pessoa espetacular que nunca vamos esquecer. Um argentino especial!
   E lá vamos para o Safari: só os 2, num Jipe, com o nosso guia/condutor – Mola – e o cozinheiro – Nestor.
   O Mola é muito desenrascado a conduzir, acelera bem e ultrapassa todos (é dos meus)!
   Almoçamos “lunch box” pelo caminho. Chegados ao parque de campismo onde vamos pernoitar, descarregamos o jipe, o Nestor fica a tratar de tudo e nós vamos com o Mola no Jipe para o P.N. Lake Manyara.
   O Lago Manyara é lindíssimo e mal entramos no parque vem um perfume a acácias… Começamos por avistar Blue Monkeys (que já tínhamos visto no Kili), depois uma grande família de Babuínos.
   Rapidamente o Mola distancia-se dos outros jipes e vamos para uma planície cheia de Gnus, Zebras, Búfalos e Javalis. O Mola deixou-nos sair fora do Jipe junto ao lago… estamos a um passo dos animais!
   Depois cruzamo-nos com uma manada de Elefantes que passam a roçar o Jipe… o guia só disse “Seat down and be quiet”. Já no final ainda nos cruzamos com uma família de “Bâmbis” a atravessar a estrada aos saltinhos.
   O parque de campismo é na aldeia Mto-Wa-Mbu, onde se vê muito comércio de rua e muitas crianças de uniforme a regressar da escola. A nossa tenda gigante já está montada e o Nestor atarefado. Tomamos um bom banho em chuveiro de água quente e jantamos.
   A comida é divinal: um creme quente picante, prato de carne (refogada ou frita) com legumes crus e cozidos e com massa/arroz/batatas. Sobremesa é sempre fruta local variada. Tudo tem um paladar delicioso.
   Não há nada para fazer depois de jantar, a não ser dormir!




















25 Ago, 2º dia Safari - Serengeti

   Depois de um delicioso breakfast voltamos a empacotar tudo no Jipe e vamos em direção ao P.N. Serengeti. Para chegar ao Serengeti temos de atravessar o P.N. Ngorongoro, cheio de aldeias da tribo Massai, com as suas aldeias com casas de barro e palhota, com os seus rebanhos de vacas, cabras e burros, com os seus mantos coloridos, com os seus 20 brincos pendurados em cada orelha e com o seu cajado para conduzir o gado.
   Lunch box e depois de almoço entramos no P.N.Serengeti. Está muito calor e dada a hora avistam-se poucos animais. Espaçadamente vamos vendo Gazelas, Avestruzes, Búfalos, Javalis, Elefantes, Girafas e no final da tarde avistamos uma Leoa, sozinha, no meio da savana. Que gato bonito!
   Vamos até ao parque de campismo de Serengeti e tomamos um banho de água fria, mas bem reconfortante depois de um dia inteiro a apanhar com o pó da estrada.
   Mais um delicioso jantar que é servido num barracão fechado com grades (para os animais não entrarem) onde todos os cozinheiros montam as mesas das suas equipas.
   Depois de jantar saímos à rua, já é noite, e ficamos boquiabertos com o céu! É uma manta negra onde se vêm 50x mais estrelas do que no hemisfério norte e onde se vê claramente a via láctea. É espetacular, são tantas estrelas que nem se consegue distinguir constelações!
   Deitamo-nos cedo porque no dia seguinte temos de começar o Safari com o nascer do sol, para avistarmos os animais no seu período mais ativo.


























26 Ago, 3º dia Safari - Serengeti

   Acordamos ainda de noite, ainda se ouvem as hienas a grunhir. Arrancamos no jipe enquanto o sol nasce. O Serengeti é muito seco, savana com algumas árvores, mas é serpenteado por rios e ribeiros que em seu redor fazem oásis. Nesta altura do ano há pouca água, mas onde há, é possível encontrar aglomerados de Hipopótamos.
   A nossa primeira paragem é junto a um desses oásis, onde dentro do rio dormem alguns Hipos e à sombra de uma árvore descansa uma Leoa.
   Continuamos o nosso percurso lento com o Jipe, quando de repente o Mola acelera desalvorado a dizer “A Lion hunting over there!” Quando lá chegamos o cenário é: cerca de 10 Leões com a cauda no ar a arrancar pedaços de uma gazela que a Leoa mãe caçou. Depois começam todos a dispersar, todos sujos de sangue e resolvem passar todos em fila junto aos Jipes que os observam. Vão a caminhar até um ribeiro para beber água…
   O Mola pergunta-nos se podemos seguir, dizemos que sim e ele arranca a abrir… passado 10 minutos pára repentinamente e deslumbramos-mos com cerca de 20 Leões a comer um Búfalo enorme. Os 4 machos descansam nas redondezas (são os primeiros a comer) e as Leoas e crias encontram-se à volta do Búfalo a arrancar bocados da carne. Alguns põem mesmo a cabeça dentro da presa para comer as carnes macias do interior.
   Estamos a 2 metros desta cena. Os Leões ignoram-nos, apenas uma Leoa me olhou nos olhos e grunhiu. Medo.
   Depois de mais de uma hora disto, em que comiam, descansavam, voltavam, resolvemos seguir caminho. Depois de tudo o que já tínhamos assistido, já não esperávamos muito do dia… 
Mas pouco depois o Mola acelera novamente e numa pequena concentração de Jipes vemos uma arvore com 2 Leopardos!!! Estão os dois à procura do melhor ramo da árvore para se deitarem. Que gatos lindos! O Leopardo cria resolve deitar-se no ramo mais baixo, praticamente ao nosso nível… e pronto, cada pose que ele fazia, dava uma nova foto!
   Já começa a dar a fome e regressamos ao P. campismo para almoçar. No caminho ainda vemos uma Leoa a preparar-se para almoçar Javali… já nem paramos, são 13:00 e a manha já foi espetacular!
   Depois de almoço e de uma sesta enquanto passava o período de mais calor, voltamos aos trilhos do parque em busca de mais aventuras. Vamos até a um rio onde se encontra a maior concentração de Hipos e onde também vemos crocodilos. Muitas fotos e seguimos, mas ficamos horas sem avistar nada! Vemos uma concentração de 3 Jipes, pode ser alguma coisa: e são 3 Chitas! Estão longe, mas nos binóculos conseguimos ver a Chita mãe e duas crias (dois gatinhos lindos). Esperamos que os outros Jipes se fartem de ver as Chitas e fazemos (mais uma vez) uma coisa proibida, vamos savana adentro em direção às Chitas para uma foto rápida. Ohhh, são tão lindas ao perto!

   E pronto, fim de dia de Safari. Ficamos a ver o espetacular por do sol e a Mola a comentar “We were so lucky today!”. We really were.
   Banho, jantar e lavar os dentes nos balneários. Como só temos uma pasta de dentes para os dois, esperamos um pelo outro. Eu lavava os dentes e o Rui esperava à porta … de repente entra na casa de banho das mulheres com os olhos esbugalhados. “O que é que foi, o que é que aconteceu??” Chegam então 3 alemães a correr e a dizer “there are two Lions in the park…”. Eu na minha inocência “Are you sure that were Lions?” e é aí que todos confirmam, inclusive o Rui, que tinham ouvido um assustador grunhido e a rapariga conta “we were walking and then we heard a grunt of an animal. I turn the light in the direction of the sound and just saw two lions one meter from me!” A cena tinha acabado de acontecer, no entanto eles sem medo voltam para o campo! O Rui não queria sair da casa de banho! Eu acho piada à situação! Quando finalmente saímos da casa de banho de braço dado, já está instalado o pânico na P. Campismo. Os leões não foram mais vistos mas deixaram uma gazela meio comida no meio das tendas…
   Vamos deitar-nos com a tenda bem fechada porque parece que alguns leões sabem abrir fechos!














































27 Ago, 4º dia Safari - Serengeti

Pequeno-almoço delicioso do costume, e a meio, quem se juntou a nós: um Elefante. Nós comíamos panquecas, ovos mexidos e torradas e ele arbustos que se encontravam no muro da casa de refeições!

Depois de tudo o que vimos no dia anterior, quando partimos de manha já não tínhamos grande espectativa. Encontramos uma Leoa, sozinha, recostada, a grunhir. O guia disse-nos que ela está a comunicar com as crias recém-nascidas, escondidas em local seguro, e realmente dá para ouvir as crias ao longe.
Seguimos caminho, devagar, e não é que encontramos duas Chitas, lindas, a caminhar na estrada!!! Ali, a poucos metros de nós!!! Melhor é que a Chita mãe se prepara para caçar uma gazela. Depois de uma veloz e exaustiva corrida, falha a caça, ohhhh!
Mais uma vez “We were so lucky, nobody saw it, just us! We are better than the National Geographic!” diz o Mola.
Continuamos o safari… Elefantes, Girafas, Hipos, Zebras.
Voltamos ao Parque de campismo, arrumamos tudo novamente e à tarde vamos a caminho do Ngorongoro, para novo parque de campismo com vista para a cratera.
Mais uma noite de céu incrivelmente estrelado. Lindo!





























28 Ago, 5º dia Safari - Ngorongoro

   Mais um dia a acordar de madrugada. Desmontamos campo e arrancamos para Safari ainda antes do sol nascer!
   E lá vamos nós à procura do Big5 que nos falta na caderneta – o Rinoceronte (os Big5 são: Leão, Elefante, Búfalo, Leopardo e Rino).
   O Rino só existe em Ngorongoro e só existem 22, devido aos caçadores ilegais que os matam para vender o marfim! Por questões de segurança, as entradas na cratera são limitadas as 6 horas.
   Devido ao clima húmido, a cratera de Ngorongoro tem pastos verdes todo o ano, como tal os Gnus e as Zebras não necessitam de emigrar. Vimos assim grandes manadas de Gnus a caminhar, sempre guiadas pelas Zebras que têm boa memoria dos caminhos.
   Avistámos algumas Hienas, a vaguear à procura de restos… parecem mesmo cães moribundos. Vimos também os Flamingos que vivem no lago, os “crista amarela” e Pelicanos. E os habituais Leões, Gazelas, Búfalos, Javalis, Elefantes, Girafas. Não, não vimos o Rino. O nosso guia diz que não se deixam ver por ninguém há mais de uma semana…
   E terminamos o nosso safari. Regressamos ao parque de campismo da aldeia Mto-Wa-Mbu.

   Vamos comprar os souvenirs ao mercado local, sozinhos, e fomos enganados à grande! Pagámos 5 xs mais pelo chá do que o preço “estabelecido”!




















29 e 30 Ago, Mto-Wa-Mbu->Arusha->Nairobi->Amesterdão->Lisboa

   Hoje é dia só de regresso. O guia e o cozinheiro levam-nos a Arusha, onde vamos apanhar o shuttle para Nairobi.
   Despedidas e gorjetas.
   Às 14:00 partimos na Van. Caminho a fora presenciamos a mesma paisagem da ida. O centro de Nairobi é um caos de trânsito, só chegamos ao hotel às 20:30! Ahh, finalmente um banho normal e uma cama!
   Às 4:50 somos acordados pelo serviço despertar. O hotel, gentilmente deu-nos 2 breakfast-box e às 5:30 arrancamos para o aeroporto.
   Vamos separados no voo até Amesterdão.
   Passamos horas no lounge do aeroporto de Schiphol à espera do voo para Lisboa… A luxuosa casa de banho do lounge contrasta muito com todas as casas de banho da Tanzânia…