16 e 17 Ago, Lisboa->Amesterdão->Nairobi->Moshi

   Finalmente em África!
   As viagens de avião cumpriram a agenda. Quando estávamos a 10 minutos de aterrar no Quénia o comandante avisa “vamos ter de nos manter no ar porque está um animal morto na pista de aterragem”! -> Bem vindos a África!
   No aeroporto de Nairobi, o cenário era: escombros queimados, passadeiras de malas na rua, muitas tendas tipo casamento com cada departamento das chegadas, casas de banho festivaleiras... Até estava tudo muito bem organizado tendo apenas passado uma semana do incêndio que destruiu tudo. Mesmo assim tivemos uma hora em fila para obter o visto de entrada.
   Agarrámos nas nossas mochilas que estavam na tenda das malas e saímos do aeroporto onde está um rapaz com uma placa a dizer “Sr. Rui Louro x2” – sempre quis ter alguém à minha espera com uma placa J.
   São 8:00 e vamos agora de Nairobi (Quénia) até Moshi (Tanzânia) de autocarro. Somos encaminhados para uma Van que quando apareceu pensei que era mentira – muito velha e completamente cheia. E do nada saltam uns bancos pequenos no corredor da Van e é mesmo lá que nós e 2 Suíças vamos fazer 10 horas de viagem!
   Metade da Van está ocupada por um grupo anglicano de Quenianas. Pouco depois da Van arrancar o grupo de mulheres começa a cantar em língua Swahili, em coro, muito animado! A senhora que vai ao meu lado é a Anne, professora e um amor de pessoa, gostei mesmo muito de a conhecer. Na van todos falam inglês bem melhor do que o meu.
   Dentro da Van, muito calor, cantava-se, levávamos banho de pó e comíamos uns bolos fritos típicos que o grupo nos ofereceu e nós esfomeados deliciamo-nos.
   Lá fora a realidade era outra! Além da estrada alcatroada por onde éramos conduzidos, tudo é terra (daquela vermelha), barracas feitas de latão velho e madeira, lixo espalhado pelo chão, pessoas a vender coisas no chão, galinhas, crianças descalças, mulheres a carregar água e lenha… Quando nos afastamos da cidade as casas passam a ser feitas de barro e palhotas e passam a ver-se manadas de vacas (daquelas não leiteiras), cabras, burros, pastoradas por crianças no meio do deserto poeirento. Vêem-se muitas pessoas e motas a transportar bidons de água na beira da estrada, crianças a dizer adeus à Van, mulheres a moer trigo ou a catar cabeças de crianças, sempre vestidos com vestes bem coloridas.
   A fronteira é um portão velho, tudo em areia, um edifico para comprar o visa e uma placa a indicar a entrada na Tanzânia.
   A estrada é em alcatrão, mas tem muitos desvios de kms em terra batida. A van vai muito devagar e a meio do caminho avaria (o condutor arranja-a em 20 minutos!).
   A primeira paragem é a cidade de Arusha (Tanzânia), onde não há passeios, além da estrada alcatroada apenas de vê mercados de rua e casas térreas velhas.
   Os nossos corpos doem do desconforto da van e por não nos deitarmos há 2 dias. Chegados ao destino, Moshi, não nos querem levar ao hotel. Depois de 30 minutos de discussão com o motorista lá nos levam por uma estrada de areia, rodeada de barracas e no meio lá estão os muros altos do hotel. Passando o grande portão – o luxo.
   Chegamos às 18:00, o que perfaz 10 horas de viagem, bem diferentes das 5 horas indicadas pela “Rota dos Ventos”.
   Tomamos um belo banho, arrumamos a mala do dia seguinte, jantar no hotel e cama, finalmente!