20 Ago, 3º dia subida Kili -> Dia de climatização no refugio Horombo

   É aconselhável um dia de descanso em altitude para o corpo de climatizar. Assim no 3º dia da subida, ficamos no refugio Horombo e vamos apenas dar um “passeio” de 3 horas até ao local onde avistamos o trilho do ultimo dia de ascensão, isto é, uma parede até ao topo!
   Todos os dias, ao longo da caminhada os guias cantam a música do Kilimanjaro “Jambo, Jambo Poa… Kilimanjaro, Hakuna Matata”. “Hakuna Matata”=”No worries”.
   Desde o primeiro dia que os grupos de subida ao Kili, pela rota Marangu, são os mesmos. Vamo-nos cruzando diariamente. E é obrigatória a presença de um guia no P.N.Kili. É curioso verificar como os outros grupos caminham sem ritmo, muito rápido e com muitas paragens, alguns separados, outros a falar enquanto caminham (o que é matador em altitude)… tivemos muita sorte com a nossa equipa e com o nosso guia, que de todos os que vejo me parece o melhor!
   À tarde descansamos, rotinas, jantar à luz do dia e “Dala Salama”=”Bom sono” em Swahili.






19 Ago, 2º dia subida Kili -> Refugio Horombo (3690 m)

   Acordamos e lá está o alguidar com água quente para nos lavarmos. Os efeitos da altitude começam a dar de si e os meus intestinos estão todos enrolados. É normal.
   Deixamos o refúgio Mandara e iniciamos 5 horas de caminhada com nova paisagem: savana. Continuamos em marcha “Pole Pole”: uma passada, respirar, outra passada, respirar… e nas subidas mais acentuadas, vómitos. A altitude é tramada.
   Chegados ao Refugio Horombo (3690m), já estamos acima do nível das nuvens e já se avista o cume do Kili ao longe. O nosso hut está voltado para o lindíssimo vulcão Mawenzi (~5300m) e a uns metros de um pequeno ribeiro onde abastecemos os nossos cantis.
   Mais um banho de alguidar, pipocas, jantar, briefing do guia para o dia seguinte e agradáveis conversas com o nosso companheiro de viagem Carlos.
   A meio da noite a altitude continua a chatear e lá vai o jantar todo!










18 Ago, 1º dia subida Kilimanjaro -> Refugio Mandara (2165 m)

   Como combinado, às 8:00 lá estamos nos jardins do hotel com as 3 mochilas, uma para ficar no hotel, outra pequena para andar connosco e outra com as coisas que precisamos à noite.
Conhecemos o nosso guia Athley e o nosso companheiro de viajem Carlos, da Argentina.
Vamos assim num Jipe até à porta do P.N.Kilimanjaro, rota Marangu para iniciar a nossa subida até aos 5895m. A rota Marangu é a mais popular porque é a única que tem refúgios para dormir (nas outras rotas acampa-se).
   Somos 3, eu o Rui e o Carlos, mas temos connosco uma equipa de 10 pessoas: 2 Guias, o Athley e o Ben; um cozinheiro, um garçon para nos servir as refeições, o Daniel; e 6 carregadores.
   “Karibu”=”Bem-vindos” ao P.N.Kilimanjaro.
   No portão do parque (1800m) começamos a nossa caminhada por um carreiro lindíssimo, de floresta tropical, árvores gigantes cheias de musgo habitadas por macacos, the blue monkeys.
“Jambo”=”Olá”, é assim que cumprimentamos que passa por nós. “Poa” é a resposta.
   A caminhada é feita “Pole Pole”=”muito lentamente”. É um ritmo estranho para se caminhar, mas a ascensão em altitude tem de ser assim para o corpo se habituar à falta de oxigénio.
5 horas depois estamos no refugio Mandara (2165m).
   Chegados mostra-nos o nosso pequeno chalé em madeira e dão-nos um pequeno alguidar com água! What? Ficámos os 3 a olhar e a pensar o q é fazíamos com o alguidar. Banho chap chap!
   Depois do banho, é sempre pop-corn time. Pipocas, chá e muita conversa. Pouco depois, às 18:00, é hora de jantar. A comida é saborosa, sopa, prato e fruta, e vem sempre em quantidade excessiva.
   Por volta das 20:00 deitamo-nos e ficamos a ouvir os macacos a chiar na floresta. Como em altitude temos de beber muita água e dormir cerca de 10 horas, claro que a noite é interrompida com pelo menos 2 visitas à casa de banho.











16 e 17 Ago, Lisboa->Amesterdão->Nairobi->Moshi

   Finalmente em África!
   As viagens de avião cumpriram a agenda. Quando estávamos a 10 minutos de aterrar no Quénia o comandante avisa “vamos ter de nos manter no ar porque está um animal morto na pista de aterragem”! -> Bem vindos a África!
   No aeroporto de Nairobi, o cenário era: escombros queimados, passadeiras de malas na rua, muitas tendas tipo casamento com cada departamento das chegadas, casas de banho festivaleiras... Até estava tudo muito bem organizado tendo apenas passado uma semana do incêndio que destruiu tudo. Mesmo assim tivemos uma hora em fila para obter o visto de entrada.
   Agarrámos nas nossas mochilas que estavam na tenda das malas e saímos do aeroporto onde está um rapaz com uma placa a dizer “Sr. Rui Louro x2” – sempre quis ter alguém à minha espera com uma placa J.
   São 8:00 e vamos agora de Nairobi (Quénia) até Moshi (Tanzânia) de autocarro. Somos encaminhados para uma Van que quando apareceu pensei que era mentira – muito velha e completamente cheia. E do nada saltam uns bancos pequenos no corredor da Van e é mesmo lá que nós e 2 Suíças vamos fazer 10 horas de viagem!
   Metade da Van está ocupada por um grupo anglicano de Quenianas. Pouco depois da Van arrancar o grupo de mulheres começa a cantar em língua Swahili, em coro, muito animado! A senhora que vai ao meu lado é a Anne, professora e um amor de pessoa, gostei mesmo muito de a conhecer. Na van todos falam inglês bem melhor do que o meu.
   Dentro da Van, muito calor, cantava-se, levávamos banho de pó e comíamos uns bolos fritos típicos que o grupo nos ofereceu e nós esfomeados deliciamo-nos.
   Lá fora a realidade era outra! Além da estrada alcatroada por onde éramos conduzidos, tudo é terra (daquela vermelha), barracas feitas de latão velho e madeira, lixo espalhado pelo chão, pessoas a vender coisas no chão, galinhas, crianças descalças, mulheres a carregar água e lenha… Quando nos afastamos da cidade as casas passam a ser feitas de barro e palhotas e passam a ver-se manadas de vacas (daquelas não leiteiras), cabras, burros, pastoradas por crianças no meio do deserto poeirento. Vêem-se muitas pessoas e motas a transportar bidons de água na beira da estrada, crianças a dizer adeus à Van, mulheres a moer trigo ou a catar cabeças de crianças, sempre vestidos com vestes bem coloridas.
   A fronteira é um portão velho, tudo em areia, um edifico para comprar o visa e uma placa a indicar a entrada na Tanzânia.
   A estrada é em alcatrão, mas tem muitos desvios de kms em terra batida. A van vai muito devagar e a meio do caminho avaria (o condutor arranja-a em 20 minutos!).
   A primeira paragem é a cidade de Arusha (Tanzânia), onde não há passeios, além da estrada alcatroada apenas de vê mercados de rua e casas térreas velhas.
   Os nossos corpos doem do desconforto da van e por não nos deitarmos há 2 dias. Chegados ao destino, Moshi, não nos querem levar ao hotel. Depois de 30 minutos de discussão com o motorista lá nos levam por uma estrada de areia, rodeada de barracas e no meio lá estão os muros altos do hotel. Passando o grande portão – o luxo.
   Chegamos às 18:00, o que perfaz 10 horas de viagem, bem diferentes das 5 horas indicadas pela “Rota dos Ventos”.
   Tomamos um belo banho, arrumamos a mala do dia seguinte, jantar no hotel e cama, finalmente!