18 a 29 agosto 2024 - Sicilia

Mais uma viagem a aliar cultura e praia, mas esta um pouco mais intensa: 12 dias, 10 dias de trip, 20 pontos de interesse, 7 locais de dormida!

E novamente inspirados no roteiro vaga mundos.



Dia 1 Lisboa -> Porto -> Aeroporto Trapani-Birgi -> Palermo

Assim que saímos do avião, um bafo de calor seco! Agarrar no carro alugado e 1h30 de Trapani a Palermo. Entre encontrar a casa, checkin, só jantamos às 23:00! Por sorte quase à porta de casa tínhamos uma pizzaria brutal, mesmo local, super barata!



Dia 2 Palermo

O nosso apartamento estava mesmo no centro de tudo, no bairro Vucciria, portanto saímos de casa e temos tudo percorrendo a agitada via Vittorio Emanuele.

Quatro canti, Praetorian Fontain, Piazza Belini, Cathedrale, Ballarò mercato storico, Palácio de los normandos, Porta nova, Teatro Massimo, Porto di Palermo.

A cidade tem muitas influências, mas o último domínio foi espanhol e isso sente-se em quase todos os monumentos da cidade e até na comida, pequenos pratos com “tapas”.

Almoçamos a famosa street food siciliana no Ballarò mercado storico.




























Dia 3 Cefalù – Taormina

Este era um dos dias mais exigentes da viagem, quase 4 horas de carro, o que envolvia disciplina para conseguir ir a quase todos os pontos de interesse.

Demasiado turistão, demasiadas pessoas, todos a fazer a mesma rota…

Cefalu - corso rogero e via Vittorio Emanuele, catedral, porta pescara, Piazza Marina, Lavatoio Mediaevale, praia

Taormima - Porta Catania, corso Umberto, Piazza IX aprile, Piazza del Duomo, Palazzo Corvaja, Teatro Grego, Villa comunale

Guiardini Naxos


































Dia 4 Vulcão Etna – Acireale – Aci Trezza e Aci Castello – Catânia

A subida até ao cume do vulcão num fiat panda não foi fácil! Muita cinza da erupção de domingo por todo o lado. Cenário todo preto. Acessível da estrada aos 2000m estão 2 grandes crateras de erupções antigas, silvestre e la campando a (1892 e 2001 respetivamente). Os trilhos para lá chegar são difíceis porque envolvem subir e descer em areia e roling stones… um silêncio absoluto como se estivéssemos no espaço!

Após petiscar nos cafés de estrada juntos às crateras descemos a montanha rumo a Acireale onde a única coisa que fizemos foi assistir a 2 casamentos nas 2 grandes igrejas da cidade.

Acireale - Piazza del Duomo, catedrale, câmara municipal,  basílica São Pedro e São Paulo, basílica São Sebastião.

Seguimos para a costa para Aci Trezza e Aci Castello onde fomos ao banho nas piscinas naturais entre pedras vulcânicas. Aci Castello tem um castelo em forma de barco totalmente rodeado de rochas de lava!

Por fim fomos até ao local de pernoita, Catania.




































Dia 5 Catânia

Dia mais descansado dado que hoje só visitamos a cidade! Mas a cidade tem tantas atrações e está um calor infernal! No fim da tarde fomos à praia de Catania, praia pública no meio das muitas praias privadas (concessionada e vedada!). Ao jantar decidimos repetir o restaurante do dia anterior, Sapuri, recomendação do alojamento local, e voltou a ser divinal.

Catânia - castelo ursinho, mercado Lá Pescheria, Piazza Duomo, Via Etna, Piazza dell universita, Teatro Massimo Belini, Piazza Stecicoro, anfiteatro romano, vila bellini, via crociferi, teatro romano, praia




















Dia 6 Siracusa

Mais um dia de calor extenuante, ao nível de Marrocos! Outro dia de passeio pela cidade e ficamos sem sentir os pés! O que vale é que há sempre uma praia por perto para refrescar, dentro do possível, o ar está a 33 graus e a água a 28 graus!

Fomos visitar as 2 Siracusas, a velha na ilha de Ortigia e a nova onde estão as ruínas de Neapolis.

Ortigia - estátua Arquimedes, ponte Umberto I, ruínas templo Apolo, Fonte de Diana, Piazza del Duomo, Fonte de Aretusa, Castelo Maniace, marginal, praias, miradouros e marina

Parque arqueológico de Neapolis - anfiteatro romano, cavernas “orelha de Dionísio”, teatro grego

























Dia 7 Noto – Módica – Ragusa

Mais um dia bem preenchido, visitar 3 cidades capitais do barroco siciliano e património mundial da UNESCO. Estava tanto calor que depois de visitar Noto decidimos romper o plano e ir à praia de Noto (Lido de Noto). Sem querer fomos parar a uma praia privada brutal, a melhor até agora, água cristalina do mar jónico cuja temperatura parecia mais quente que o exterior!

Noto - Porta Reale, corso Vitor Emanuele, Igreja san Francesco d assisi, Piazza del Duomo, Catedral san Nicolo, igreja san Carlo, lido de noto

Seguimos depois para a capital do chocolate e cidade das 1000 igrejas, Módica. Segundo graniti (granizado) do dia, este de chocolate, a única forma de ganhar forças para tanta caminhada, ainda por cima a subir e a descer!

Módica - (cidade baixa) corso Umberto I, chocolaterias, catedral São Pedro, (cidade alta) Castello dei Conti, catedral de San Giorgio

Por fim chegamos a Ragusa, onde vamos dormir. Já não deu para visitar a cidade de dia, fica para amanhã, a caminho do jantar visitámos a cidade by night…

Ragusa - mirarouro Santa Maria delle scale, igreja Santa Maria dele Itria, igreja do purgatório, Piazza del Duomo, Catedral


Noto








 
Lido de Noto




Nódica













Ragusa 










Dia 8 Ragusa - Vale dos Templos – Agrigento – Scala dei Turchi

Visita breve a Ragusa by day porque hoje a viagem a Sul é longa, 2 horas e meio de estrada nacional. A meio mais uma pausa para mergulho numa praia em Gela. A zona sul é menos desenvolvida, paisagem mais árida. Em toda a SS115 (nacional) há lixo na berma, a vulso e em sacos, impressionante! Muitas estufas e vinhas altas.

O destino compensou a cansativa viagem, a praia dos turcos tem uma arriba em socalcos de cal bem branco, nunca tínhamos visto nada semelhante. Ainda a pingar do banho fomos para o parque arqueológico do Vale dos tempos, onde se encontram os tempos gregos mais antigos (séc IV aC) e mais bem conservados do mundo.

5km de parque arqueológico depois fomos para o local de pernoita, cidade de Agrigento.

Ragusa - mirarouro e igreja Santa Maria delle scale, igreja do purgatório, Piazza del Duomo, Catedral, igreja San Giuseppe

Gela

Praia da Scala sei turchi 

Parque arqueológico Agrigento - Vale dos templos Juno, concórdia, Hércules, Dioscuros e Zeus.

Agrigento






































Dia 9 Agrigento – Salinas – Trapani

Como ontem não conseguimos ver a cidade, só um pouco a caminho do jantar, hoje de manhã fomos dar uma pequena volta a Agrigento. 

E arrancamos para mais um dia de quase 3 horas de viagem pela nacional a sul SS115. O calor aperta e a vontade de dar um mergulho é sempre muita. Paramos a meio ao valhas numa saída só porque a Isabel disse que estava indisposta e de repente estamos numa praia paradisíaca meio deserta, só de pedras, mas com uma água completamente cristalina. A temperatura já não é caldo como na costa este, mas sabe tão bem. Chamava-se Piana Grande.

Como estamos muito cansados e sempre atrasados (para cumprir o exigente plano dos vaga mundos) decidimos não ir à cidade de Marsala. Paramos noutra praia em Mazara del Vallo, mas era feinha face à anterior, não se pode ter sempre sorte.

Por fim seguimos para Trapani, passamos pelas salinas na entrada.

Passamos também pelo aeroporto onde aterramos e fechamos a volta completa à ilha em 1000km.

Jantamos pela primeira vez em casa, comida italiana feita por nós, mas com sopa, salada e fruta.

A fechar o dia, encontro imediato com a maior barata do mundo, na nossa cozinha (barata em férias, a sequela). Bem sei que o dia foi intenso, mas infelizmente foi a ocorrência do dia.

























Dia 10 Ilhas Égadi

Dia forte, sabíamos que os miúdos iam adorar, dia inteiro de cruzeiro às pequenas ilhas Egadi ao largo de Trapani, ilhas Favignana e Levanzo, com paragem para passeio de bicicleta até a praias paradisíacas.

Além das baratas, há outro animal que não gosto: alforrecas. Barco até Favignana, alugamos 3 bicicletas e uma cadeirinha para a Isabel (ser leve tem as suas vantagens) e temos 2 horas para pedalar até às 2 praias que decidimos ir. Na primeira praia (Scalo Cavalo) dei apenas um mergulho, vi peixinhos e vi uma alforreca, pequena, roxa, bonita até, saí da água. Na segunda praia (Cala Rosa), fui à frente e dei um mergulho, com os meus óculos vejo várias alforrecas pequenas à minha volta, ainda fugi, mas fui picada por uma na perna. Não é uma dor fulminante, mas dói e sente-se o veneno. Os miúdos que também já estavam na água tiveram um pequeno ataque de pânico!

Ainda fui mais vezes à água, não fui vencida pelo medo, o André é que já não conseguiu estar em tranquilidade na água. Mergulhamos do barco em frente à Cala Azzurra. E ainda fomos ao banho na Cala fredda na ilha de Levanzo. Na volta a Trapani viemos a conversar sobre viagens com uns portugueses do Porto.

Ao fim do dia, depois de ir buscar o carro rebocado fomos conhecer a cidade e jantar. Mais uma boa experiência gastronómica siciliana, la busiata.












































Dia 11 Trapani – Érice – Praia Macari e Cala Calazza – Reserva Natural do Zíngaro

Último dia e até a Sicília chorou e trovejou. Na realidade não choveu, mas fez muita trovoada seca. Estava nublado e era dia de praia…

Antes de mais fomos à vila medieval de Érice, que é tipo a nossa vila de Óbidos, mas num morro muito alto com uma vista lindíssima sobre Trapani e as ilhas Égadi. E com ainda mais turistas! 

Depois de comprarmos o nosso almoço “típico”: arancines (tipo croquetes gigantes em forma de bola ou pera em que no centro tem ragu rodeado de arroz) e fatias de pizzas mozarela para os miúdos seguimos para as praias “selvagens” da costa oeste, Cala Calazza e praia de Macari, uma ao lado da outra na baía de Santa Margherita. Estava muito nublado, não íamos fazer praia, só mesmo ver, até pedimos para passar a portagem turística. Assim que chegamos às rochas da cala Callazza, o André escorrega e deixa cair um dos chinelos no meio da rochas. Para acalmar o drama prometi que lhe resgatava o chinelo… tivemos todos quase uma hora nisso, entre grutas e buracos por onde a água entrava e tinha levado o chinelo. Conseguimos encontrar, mas suamos tanto que mesmo a trovejar fomos ao banho. Com a brincadeira já só almoçamos às 16:00.

Seguimos para reserva natural do Zingaro onde pretendíamos fazer uma pequena caminhada pela encosta norte da ilha, com calas e praias pelo meio. Não fomos porque o acesso estava fechado.

Pelo caminho paramos na cidade San Vito lo Capo, com uma grande praia, o Monte Gorda da zona.

Voltámos a Trapani para fechar com chave de ouro, comer o melhor jantar de sempre dos miúdos, um mega gelado!


























Dia 12 Aeroporto Trapani-Birgi -> Porto -> Setúbal

Regresso a Portugal com uma hora e meio de atraso!

No próximo ano há mais!


Considerações gerais da viagem:

- Nós somos viajantes rápidos, visitamos e desfrutamos dos locais de forma muito eficiente. Mesmo assim, quando li pela primeira vez o plano de 10 dias dos vagamundos deu logo para perceber que era demasiado ambicioso. Ou eles acordam cedíssimo e só comem snacks o dia todo, ou seria impossível fazer aquilo tudo. Mesmo assim acho que fizemos mais do que previa.

- Os Sicilianos. São genericamente simpáticos, muito parecidos connosco. Sabem a importância do turismo, é o ganha pão da grande maioria, como tal respeitam e tentam agradar-nos. Os anfitriões dos alojamentos locais exageram um bocado. São um bocadinho chatos com a hora a que vamos chegar, 3 dias antes começam a perguntar! Praticamente ninguém fala inglês, só mesmo italiano, o que vale é que nós percebemos mais ou menos.

- O lixo. Sabíamos que a máfia controlava o lixo, mas não imaginava que houvesse tanto lixo no chão, sacos com tudo, plástico em todas as bermas da estrada, praias, a boiar na água, pelos cantos da cidade, em todo lado. E o pior é que é feito de propósito para afastar os turistas. Além do lado não visível de traficarem lixo tóxico. O estreito de Messina é o local do mundo com mais lixo a boiar! Ainda utilizam muitos copos/pratos/talheres/palhinhas descartáveis de plástico no dia a dia, talvez de propósito para criar mais lixo! Enfim!

- Comida. Quando visitámos Marrocos, estávamos receosos que os miúdos não gostassem dos sabores, mas adoraram. Para a Itália estávamos super tranquilos. Mas a realidade é que a única coisa que conseguiam comer foi pizza mozarela e esparguete à bolonhesa. Foi até enjoar! Já nós deliciámo-nos com os sabores sicilianos, provámos tudo: fritada do mar (calamares, petingas, camarões, choco), fritada de batata, arancinis (os famosos croquetes em forma de bola ou pera com interior de ragu rodeado de arroz que comemos quase todos os dias), panninis, impanatas, pasta fresca incluindo a busiata siciliana, almôndegas au Ragu, beringela grelhada… Todos os dias comíamos um graniti (granizado), provámos muitos sabores, os melhores eram os de morango, o mais típico é o limão, limoncelo, a fruta da Sicília. Gelados não comemos tantos como esperava, os granitis sabiam melhor com o calor. Comemos muitos cornettos (croassants), é o pequeno almoço típico deles. Cannollis são os doces típicos da Sicília, há em todo o lado, mas só provámos um. Bebemos mais cerveja do que vinho, também por causa do calor, eram ambos bons. A qualidade do azeite é muito semelhante à nossa em Portugal, talvez o único local no mundo onde possa dizer isto!

- Turismo. Têm muito turismo interno, há poucos estrangeiros. Mas têm demasiado turismo! Especialmente naquelas cidades/vilas com mais atrações, quase nem se consegue andar nas ruas, e estamos todos a fazer o mesmo trajeto. E é nessas ruas que se concentram os restaurantes e as lojas. Tantas lojas de souvenirs, em todas as portas. Fora dos roteiros turísticos tudo é calmo, mas olham  para nós desconfiados.

Os restaurantes cobram o servizio, uma taxa por pessoa. Os municípios também, uma taxa diária.

Há muitos alojamentos locais, diria mesmo que não há controlo, é porta sim porta sim. Para nós não foi mau, as dormidas não foram muito caras.

- Praias. Sempre que viajo confirmo que as melhores praias do mundo estão em Portugal. As sicilianas não ficam muito atrás pela cor e temperatura da água, parece que estamos num aquário, sempre rodeados de peixes. A beleza da água azul cristalino vem com um senão, pequenas alforrecas cujos tentáculos picam. Na costa Norte e Este apanhámos água a rondar os 30 graus, numa das praias a Este, a água estava muito mais quente que o exterior. A Sul e Oeste já não estava caldo, mas mesmo assim estava mais quente que a nossa. Há praias privadas, acesso vedado, os Lidos. Há calas que são praias só com rocha, há praias de areia, outras de pedra e muitas mistas. As praias públicas de areia são muito “bregas”, muito lixo espalhado, música alta e muita gente. Mas em comum, todas são bonitas.

- O tempo. Sempre sol e muito calor. O calor começa logo de manhã cedo e só acalma ao fim da tarde. Mesmo à noite está muito calor. Nas cidades o calor sente-se de uma forma muito intensa, 2 minutos na rua e está-se a pingar, pior só em Marrocos. Junto ao mar está mais fresquinho.

- Cultura. Uma ilha muito antiga, muitos povos já a habitaram, como tal tem muitas influências, mas o mais visível é o barroco trazido pelos espanhóis, também por terem sido os últimos “ocupantes”. Na maioria das cidades parece que estamos em Espanha. Os monumentos estão todos muito bem conservados. Muitas cidades são autênticos museus ao ar livre.

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